quinta-feira, 17 de julho de 2008

Tranquilo
Á chuva
Sem noção do tempo
Rimando...
Com o pássaro que voa
Com o vento que ri
Com a música do aguaceiro
Com a gente que caminha
Seguindo os cães

Tranquilo...

Só
Jogando com o fumo
Seguindo na estrada a luaQue me pede companhia.
Descubro nos teus cabelos que exploro
Rios abundantes

Continuo até á foz
Onde na tua boca
Desagua um imenso caudal
De beleza tão louca
De sangue que ferve;

Quando bebo do teu rio
Que se transforma em oceano
O teu corpo de vénus
Sereia encantada;

Quando dormes calma
Envolta em sonhos
Descobertos na vida
Dos nossos dias mais duros;

E deixo esse mar
Retiro as mãos que se tornam pesadas
E
Apenas te olho
Como gaivota atente
Procurando onde
Mais um beijo te guardar;

Tanta beleza
Tanto amor
E agradeço esses momentos
De deus
Que só a noite dá a teu lado
Sozinho
Nu
Cru
Esperando o sol
Que virá de manhã.
28/8/84

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Como posso esperar amor
Se nunca o prometeste

Como espero ter-te
Se nunca te deste

Como sonho com a tua cama
Se nunca a vi

Como viver contigo
Se ainda não te conheci

Como viver sem ti
Se ainda não vivi comigo

Como ser poeta
Se a inspiração é castigo
25/12/97
Que queres de mim saudade?
Que fazes aqui?
Batendo repetidamente
Sempre lembrando quem amo
Doendo-me mais
Com a dor que és tu

Que queres tu de mim?

Afinal é bom lembrar
Crescer a cada dia
Roubando a alegria
Que dantes me acordava

Fico contigo ...
SaudadeMinha velha companheira
Desvendaste-te
E por detrás do véu
A lua apareceu
E as asas da noite
Brilharam o breu
E os olhos
Bateram sem dor
Mil vezes mil

Prometida
A chuva juntou-se
Repetido
O vento fundiu-se na luz parida da noite
E os lençóis levantaram-se
Para nos deixar entrar

O amor venceu a inércia
E montou nas asas da noite
Aos olhos duma coruja branca
Que ensinava as estrelas a iluminar os abraços
As bocas vencendo a fadiga
Os braços cercando brigas
Os corpos embriagando a luz
Juntos deram mais tempo á noite
E só foi aurora
Porque a aurora sempre nasce
E da aurora
O amor renasce
Fevereiro 98
Andei nas ruas do teu cabelo
Com as mãos nuas
Desfiando novelos
Em rios longos de gotas de água
Juntei as ruas
Disfarçando com força
O amor que brotava dos poros
Que mais leito ao rio levava
Agarrei-me ao teu frágil tronco
Ao teu pescoço nu
E deixei a lua bronzear-to
E quando o beijei
Deixei a mentira descer ao rio
E correndo o tempo a fio
Na tua boca calei a verdade

Não contei os beijos todos
Pois o rio já era mar
Era tempo de embarcar
Para a campina do teu corpo
E gritei, chegando louco
Á foz do teu olhar
E assim...
Tempo de esperar
Seguindo a amar
E a colher do ceifar
O pão que brotou de nós
O filho que depois da foz
Foi rei do nosso mar
Agosto 85
Aberta a porta
Entras pelo meu coração
Levando sentimento que a vida alcança
Tornando-me criança
De eterna felicidade

Declamas um poema puro
Sereno
Acalmando a vida
Eternizando o amor

O sol aquece o mundo
O amor
O lar
O filho que nos une
Um beijo que nos transporta
A verdade que combinámos
A cama que nos acolhe
Os sonhos que nos juntam
Que nos agarram profundos
Nos dias mais longos
Junho 1978
A manhã chegou
O sol me acordou
E ergui-me torturado pelo espaço

A imagem da tua partida
O ultimo beijo
O nosso derradeiro desejo
E a promessa que te esqueceria

Á noite vem o cheiro do teu cabelo
O calor da tua boca
A força da tua fome quando me querias

De dia o sol ilumina mais a dor
E doi mais
Porque te vejo

De volta á noite
Nossa dama dos sonhos
Testemunha das palavras que te dei
Á luz da lua

Qualquer dia esta dor
Este sol se apagará
Enquanto nestes dias
Há uma estrela
Que me ajuda a esquecer
Janeiro 81