quinta-feira, 17 de julho de 2008

E de repente acontece
O dia amanhece
Cresce
Rasga a noite e vem a saudade
Nasce a verdade
Crua
Fria
Indiferente
Longe de tudo
Perto de tudo
Implacável
Sem dor
Sem calor
E nem o nada apaga o amor

E devagar morre
A noite cheia
A bruma renasce
A aurora levanta
E o dia brame incontrolável
Cerceando a liberdade
Que as palavras de noite ditas
Se tornam de dia malditas

E escrevendo se torna ténue
O fugaz da nossa mente
E o dia apaga
A noite esconde
E o nada vence
Lisboa 97

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