ninguém
sempre só
tanto mundo e... nada
terça-feira, 31 de março de 2009
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
domingo, 27 de julho de 2008
VIAGEM AO FIM DO MUNDO
A minha viagem começou numa página de papel, povoada de branco.
Eu queria ir ao fim do mundo, arriscar o segredo que ninguém conhecia.
Agarrei então na trouxa e comecei a caminhada; papel, lápis e as minhas lembranças encheram a sacola que pus nas costas e peguei no velho pau que tinha no jardim, que há muito tempo amparava a borracheira que tristemente tentava crescer no jardim húmido das chuvas .
Entrei pela estrada que levava ao coração, sabia a sangue a atmosfera que me deixava sair do meu lugar. Os mortos amontoavam-se no velho cemitério ao fim da aldeia que sonhei nessa noite. Despedi-me da morte que a vida parecia, era uma viagem que não sabia se teria regresso. Caminhando, uma leve penumbra ia-se dissipando mesmo em frente dos meus olhos e arrasava os raios de sol que tentavam entrar no meu confortável temperado calor que sabia bem.
Ao fim de alguns metros já o sol vencia, sem eu querer, porque sempre detestava o seu calor, era como um amigo que se quer mas que não se quer perto.
Abri os braços e tentei convidar o vento a entrar por mim, arrefecendo os sentimentos que se amontoavam, gélidos, arrebatantes, aventureiros, e segui sempre, sem olhar para trás, talvez com medo das almas que não gostam que as olhem e se vingam macabramente no olhar de cada um que arrisca.
Pensava até que me iriam acompanhar, feias e furtivas, montadas no meu pescoço, dando-me um ar feio e detestável a quem me via passar.
Não quis parar nunca, por isso seguia sempre, fazendo tudo andando, acompanhado de nada, porque nada havia no meio da viagem que me interessasse.
Ao fim de trinta e três aldeias como o numero de anos de J.C., abrandei o passo e sempre andando, jantei com três girassóis que viviam olhando para o sol, dormi com uma cigarra que não se calava e sempre andando acordei ao lado das pedras que pisava todos os momentos.
O caminho não tinha tamanho, era difícil saber o fim do fim mas não me importava, afinal o sonho era o fim do mundo que perguntava e o segredo do fim o começo de tudo.
Passei pelo pomar de maçãs, irmãs da outra que nos castigou quando entrou na boca de Adão, sorri e agradeci elas serem irmãs daquela e perguntei se ela ainda vivia, porque afinal a maçã nunca morre, o pecado é indestrutível, renascido sempre, filho do filho de outro filho que nunca morre.
Talvez por isto teria começado esta viagem, talvez por isto a minha vontade de saber, o pecado era parte de mim, como água que não se vê e enche o nosso corpo, o pecado que nos faz viver, porque nos ensinam a não pecar, quando o mais sábio era não nos ensinarem a fazer tudo o que o nosso corpo sente e quer, e por aí não houvesse vontade de conhecer o lado mau instituído por quem gosta mesmo do pecado.
A minha viagem começou numa página de papel, povoada de branco.
Eu queria ir ao fim do mundo, arriscar o segredo que ninguém conhecia.
Agarrei então na trouxa e comecei a caminhada; papel, lápis e as minhas lembranças encheram a sacola que pus nas costas e peguei no velho pau que tinha no jardim, que há muito tempo amparava a borracheira que tristemente tentava crescer no jardim húmido das chuvas .
Entrei pela estrada que levava ao coração, sabia a sangue a atmosfera que me deixava sair do meu lugar. Os mortos amontoavam-se no velho cemitério ao fim da aldeia que sonhei nessa noite. Despedi-me da morte que a vida parecia, era uma viagem que não sabia se teria regresso. Caminhando, uma leve penumbra ia-se dissipando mesmo em frente dos meus olhos e arrasava os raios de sol que tentavam entrar no meu confortável temperado calor que sabia bem.
Ao fim de alguns metros já o sol vencia, sem eu querer, porque sempre detestava o seu calor, era como um amigo que se quer mas que não se quer perto.
Abri os braços e tentei convidar o vento a entrar por mim, arrefecendo os sentimentos que se amontoavam, gélidos, arrebatantes, aventureiros, e segui sempre, sem olhar para trás, talvez com medo das almas que não gostam que as olhem e se vingam macabramente no olhar de cada um que arrisca.
Pensava até que me iriam acompanhar, feias e furtivas, montadas no meu pescoço, dando-me um ar feio e detestável a quem me via passar.
Não quis parar nunca, por isso seguia sempre, fazendo tudo andando, acompanhado de nada, porque nada havia no meio da viagem que me interessasse.
Ao fim de trinta e três aldeias como o numero de anos de J.C., abrandei o passo e sempre andando, jantei com três girassóis que viviam olhando para o sol, dormi com uma cigarra que não se calava e sempre andando acordei ao lado das pedras que pisava todos os momentos.
O caminho não tinha tamanho, era difícil saber o fim do fim mas não me importava, afinal o sonho era o fim do mundo que perguntava e o segredo do fim o começo de tudo.
Passei pelo pomar de maçãs, irmãs da outra que nos castigou quando entrou na boca de Adão, sorri e agradeci elas serem irmãs daquela e perguntei se ela ainda vivia, porque afinal a maçã nunca morre, o pecado é indestrutível, renascido sempre, filho do filho de outro filho que nunca morre.
Talvez por isto teria começado esta viagem, talvez por isto a minha vontade de saber, o pecado era parte de mim, como água que não se vê e enche o nosso corpo, o pecado que nos faz viver, porque nos ensinam a não pecar, quando o mais sábio era não nos ensinarem a fazer tudo o que o nosso corpo sente e quer, e por aí não houvesse vontade de conhecer o lado mau instituído por quem gosta mesmo do pecado.
sexta-feira, 18 de julho de 2008
saber ontem que amanhã vai ser diferente
ter-te
encontrar a solidão abandonada
e beber até á última gota
todo o amargo do sal
que a chuva respira
quando a vida parte de alguem
amar apenas
deixar nos poemas o suor da manhã
resgatar do sono as veias perdidas
sem sangue
frustradas por não serem tocadas
as dos lábios
as das mãos
as veias do pensamento
o corpo repartido porque esgotado
de procura
de arrebatamento
somos sempre (os poemas)
os ultimos a nascer
depois de tudo
depois de nada
sou sempre o insatisfeito
pois nem por fim nem por antes
o meu verso é constante
e nem quer ser eterno
julho 2008
ter-te
encontrar a solidão abandonada
e beber até á última gota
todo o amargo do sal
que a chuva respira
quando a vida parte de alguem
amar apenas
deixar nos poemas o suor da manhã
resgatar do sono as veias perdidas
sem sangue
frustradas por não serem tocadas
as dos lábios
as das mãos
as veias do pensamento
o corpo repartido porque esgotado
de procura
de arrebatamento
somos sempre (os poemas)
os ultimos a nascer
depois de tudo
depois de nada
sou sempre o insatisfeito
pois nem por fim nem por antes
o meu verso é constante
e nem quer ser eterno
julho 2008
quinta-feira, 17 de julho de 2008
Um sonho meu acontecido...
O meu passarinho tão amado com as suas frágeis asas, voando com a força própria dos fascinados e sonhadores, chegou aos olhos da misteriosa Lua.
O medo segredou-lhe prudência e os seus passos eram pequenos, quase imperceptíveis, mas pouco a pouco ganhando distância, com essa pouca distância foi entrando nesse mundo incompreendido, indecifrável, repleto de angústias, de duvidas, de distanciamentos, de desconhecido e até de felicidade.
Esse Mundo assombroso ia-se debruçando na incredibilidade e admiração inebriante daquele passarinho tão leve e audaz.
Tinha conseguido chegar.
Chegar lá, onde o frio agasalha.
A liberdade ia-se aproximando, mas a solidão adornava os passos mais corajosos.
Da varanda da Lua, de vez em vez espreitava lá fora, e alcançava ver mais segurança mas mais prisões, mais calmaria mas menos beleza, e entrava e acarinhava-se aos luares que brotavam de todas as fontes.
Lá dentro a sua imagem não existia, dos espelhos das sombras, era um reflexo do cristal da sua alma e nada mais, e voltava sempre ás varandas e espreitava o labor dos tristes, ouvia o cantar da surdina do mundo que parecia enfadonho e pobre, mas havia sempre uma luz que o olhava e deixava na memória a vontade de ter sempre uma janela para olhar.
Descobria sempre uma pequena gota de amor que respondia ás incertezas que a solidão lhe despertava.
Deleitou-se então.
Dormiu nos lençóis do fogo das velas de cheiro, provou das dores que não lhe faziam mal, experimentou, saboreou, repetiu e bebeu da chuva da incompreensão que não o alcançava, riu-se das palavras e sentimentos fúteis, e despertou nas asas do mar que o projectavam noutra dimensão, que ali, naquele luar infinito, lhe estava tão perto.
Quis deixar de ouvir.
Quis terminar as amarras com o caminho que trilhara para ali chegar. Tentou apagar o rasto para se poder perder, mas os sonhos não deixavam.
A luz brilhava sempre.
De repente acordei e o meu sonho terminou....antes voei com ele mas esse voo era dele e só compreendi que essa luz, acredito eu, nunca se vai apagar, e seja com a vida, ou com a saudade, ela estará sempre acesa, porque o meu AMOR é incondicional.
Desejo-te uma vida muito feliz,.... só isso.
Um beijo muito amado
Do Teu PaiZé Bicho
O meu passarinho tão amado com as suas frágeis asas, voando com a força própria dos fascinados e sonhadores, chegou aos olhos da misteriosa Lua.
O medo segredou-lhe prudência e os seus passos eram pequenos, quase imperceptíveis, mas pouco a pouco ganhando distância, com essa pouca distância foi entrando nesse mundo incompreendido, indecifrável, repleto de angústias, de duvidas, de distanciamentos, de desconhecido e até de felicidade.
Esse Mundo assombroso ia-se debruçando na incredibilidade e admiração inebriante daquele passarinho tão leve e audaz.
Tinha conseguido chegar.
Chegar lá, onde o frio agasalha.
A liberdade ia-se aproximando, mas a solidão adornava os passos mais corajosos.
Da varanda da Lua, de vez em vez espreitava lá fora, e alcançava ver mais segurança mas mais prisões, mais calmaria mas menos beleza, e entrava e acarinhava-se aos luares que brotavam de todas as fontes.
Lá dentro a sua imagem não existia, dos espelhos das sombras, era um reflexo do cristal da sua alma e nada mais, e voltava sempre ás varandas e espreitava o labor dos tristes, ouvia o cantar da surdina do mundo que parecia enfadonho e pobre, mas havia sempre uma luz que o olhava e deixava na memória a vontade de ter sempre uma janela para olhar.
Descobria sempre uma pequena gota de amor que respondia ás incertezas que a solidão lhe despertava.
Deleitou-se então.
Dormiu nos lençóis do fogo das velas de cheiro, provou das dores que não lhe faziam mal, experimentou, saboreou, repetiu e bebeu da chuva da incompreensão que não o alcançava, riu-se das palavras e sentimentos fúteis, e despertou nas asas do mar que o projectavam noutra dimensão, que ali, naquele luar infinito, lhe estava tão perto.
Quis deixar de ouvir.
Quis terminar as amarras com o caminho que trilhara para ali chegar. Tentou apagar o rasto para se poder perder, mas os sonhos não deixavam.
A luz brilhava sempre.
De repente acordei e o meu sonho terminou....antes voei com ele mas esse voo era dele e só compreendi que essa luz, acredito eu, nunca se vai apagar, e seja com a vida, ou com a saudade, ela estará sempre acesa, porque o meu AMOR é incondicional.
Desejo-te uma vida muito feliz,.... só isso.
Um beijo muito amado
Do Teu PaiZé Bicho
Sem demora
Agarro os cabelos ao tempo
Com medo de perder os dias
A vida é mais célere que nunca
E no ar
Há sempre penumbra
Escondendo o amanhã
Agora já é duro despedir-me
Meço a velocidade dos ponteiros
Preciso de tempo
Preciso de ar onde a vida respira
Preciso de vida para estar contigo
Preciso do meu tempo
Minha vida
Medidor do tempo de te amar
Agarrado á crina do tempo
Cavalo alado
Galopando nos céus
Rei do horizonte
Vou contigo junto
Bebendo o tempo
Que se escoa maisQuanto mais o queremos
Agarro os cabelos ao tempo
Com medo de perder os dias
A vida é mais célere que nunca
E no ar
Há sempre penumbra
Escondendo o amanhã
Agora já é duro despedir-me
Meço a velocidade dos ponteiros
Preciso de tempo
Preciso de ar onde a vida respira
Preciso de vida para estar contigo
Preciso do meu tempo
Minha vida
Medidor do tempo de te amar
Agarrado á crina do tempo
Cavalo alado
Galopando nos céus
Rei do horizonte
Vou contigo junto
Bebendo o tempo
Que se escoa maisQuanto mais o queremos
Repetitivamente
O cair das gotas
A frescura invade texturas
Nervuras
As folhas que nos tocam ao passar
E nos deixam um fresco outonal
Nos lábios ávidos das banalidades carnais
Pela sobrevivência cega
E uma mulher cai pela tarde
O vento deita no chão a folha mais seca
A mais linda talvez
Misturando-se com outras
Aumentando a natureza morta
O ciclo vai rodando
Cascais 3/12/87
O cair das gotas
A frescura invade texturas
Nervuras
As folhas que nos tocam ao passar
E nos deixam um fresco outonal
Nos lábios ávidos das banalidades carnais
Pela sobrevivência cega
E uma mulher cai pela tarde
O vento deita no chão a folha mais seca
A mais linda talvez
Misturando-se com outras
Aumentando a natureza morta
O ciclo vai rodando
Cascais 3/12/87
Olho nos teus olhos
E sigo impelido
Voando no desconhecido
Nesse olhar que me rasga
Com esse azul de mar
Onde me quero afogar
Nesse olhar que me prende
Que me espanta
Que me arranca dos pequenos nadas da vida
E que me leva as palavras
Que só a paixão sabe escrever
Nesse olhar que me toca
Que eu queria tocar
E como o mar
Me deixa afogar
Dentro dele
Sem me ver
Lisboa 97
E sigo impelido
Voando no desconhecido
Nesse olhar que me rasga
Com esse azul de mar
Onde me quero afogar
Nesse olhar que me prende
Que me espanta
Que me arranca dos pequenos nadas da vida
E que me leva as palavras
Que só a paixão sabe escrever
Nesse olhar que me toca
Que eu queria tocar
E como o mar
Me deixa afogar
Dentro dele
Sem me ver
Lisboa 97
O sol morreu hoje
Gotas de água caíram sem fim
Até afogar o calor
Dessa bola de fogo que nos ilumina
Morreu sem dizer
Sem enviar um derradeiro raio
Sem um sorriso iluminado
O dia chegou em água
Apagou a luz
Que o sol prometia
De outro dia acabado
Amanhã virá o sol
Matará a chuva
Com o calor que afoga a água
E iluminará o dia que virá
A natureza está viva
Santa margarida 26 agosto 80
Gotas de água caíram sem fim
Até afogar o calor
Dessa bola de fogo que nos ilumina
Morreu sem dizer
Sem enviar um derradeiro raio
Sem um sorriso iluminado
O dia chegou em água
Apagou a luz
Que o sol prometia
De outro dia acabado
Amanhã virá o sol
Matará a chuva
Com o calor que afoga a água
E iluminará o dia que virá
A natureza está viva
Santa margarida 26 agosto 80
Invento amor e ... sou louco
Bebo-te
Prendo-te num coração sem grades
Escondo a magia da paixão
E nada peço ao amor
Entreabro a tua porta
E deixo apenas entrar uma leve brisa
Do vento que tenho em mim
Que te quer levar
E escrevo
Para guardar o que tenho de teu
Que é meu em mim
E memorizo a noite
Para te ter de dia
Pura fantasia
97
Bebo-te
Prendo-te num coração sem grades
Escondo a magia da paixão
E nada peço ao amor
Entreabro a tua porta
E deixo apenas entrar uma leve brisa
Do vento que tenho em mim
Que te quer levar
E escrevo
Para guardar o que tenho de teu
Que é meu em mim
E memorizo a noite
Para te ter de dia
Pura fantasia
97
E de repente acontece
O dia amanhece
Cresce
Rasga a noite e vem a saudade
Nasce a verdade
Crua
Fria
Indiferente
Longe de tudo
Perto de tudo
Implacável
Sem dor
Sem calor
E nem o nada apaga o amor
E devagar morre
A noite cheia
A bruma renasce
A aurora levanta
E o dia brame incontrolável
Cerceando a liberdade
Que as palavras de noite ditas
Se tornam de dia malditas
E escrevendo se torna ténue
O fugaz da nossa mente
E o dia apaga
A noite esconde
E o nada vence
Lisboa 97
O dia amanhece
Cresce
Rasga a noite e vem a saudade
Nasce a verdade
Crua
Fria
Indiferente
Longe de tudo
Perto de tudo
Implacável
Sem dor
Sem calor
E nem o nada apaga o amor
E devagar morre
A noite cheia
A bruma renasce
A aurora levanta
E o dia brame incontrolável
Cerceando a liberdade
Que as palavras de noite ditas
Se tornam de dia malditas
E escrevendo se torna ténue
O fugaz da nossa mente
E o dia apaga
A noite esconde
E o nada vence
Lisboa 97
Dos teus olhos tristes
Quero ser o alquimista
Com toques de ilusionista
Habilidade de artista
Para te apagar a tristeza
Que vem de dentro de ti
Quero pegar nas tuas lágrimas
Como jóias lapidar
Transformando-as em lembranças
De inigualável valor
Para depois as tornar
Apenas sonhos perdidos
E esse castanho esverdeado
Que as tuas nuvens não deixam ver
Passar a ser mar chão
De agua límpida azul
De ondas de alegria
Que á areia vêm ter
Para a Té
2007
Quero ser o alquimista
Com toques de ilusionista
Habilidade de artista
Para te apagar a tristeza
Que vem de dentro de ti
Quero pegar nas tuas lágrimas
Como jóias lapidar
Transformando-as em lembranças
De inigualável valor
Para depois as tornar
Apenas sonhos perdidos
E esse castanho esverdeado
Que as tuas nuvens não deixam ver
Passar a ser mar chão
De agua límpida azul
De ondas de alegria
Que á areia vêm ter
Para a Té
2007
Chovendo cai a água
Chorando solto a mágoa
Do dia que magoa
Da dor que não perdoa
Da morte que ecoa em mim
Em ti quando chove
As lágrimas percorrem teu rosto
Entorpecendo o olhar
Enegrecendo os cabelos
E as barbas escondendo o sofrimento
Da dor já nada te resta
Estás inerte
Sem lágrimas
E a tempestade acaba
No teu corpo acabado
Morto jaz um amante
8/6/81
Chorando solto a mágoa
Do dia que magoa
Da dor que não perdoa
Da morte que ecoa em mim
Em ti quando chove
As lágrimas percorrem teu rosto
Entorpecendo o olhar
Enegrecendo os cabelos
E as barbas escondendo o sofrimento
Da dor já nada te resta
Estás inerte
Sem lágrimas
E a tempestade acaba
No teu corpo acabado
Morto jaz um amante
8/6/81
Caminhei por fora do mundo
Não parei um segundo
Olhei para mim do lado de fora
Chorei o erro
Fui embora
Não embarquei na hora
Quis-me perder
Nem assim me deixei
Pois o teu beijo
Ardia-me ainda
No coração que te queria
Pedi que viesses
Caminhasses assim
Como eu
Fora do mundo
Parados num segundo
A contemplar-nos
Tranquilamente narcisistas
Pacíficamente
Sem dar pistas
E alegres pelas conquistas
Sem precisar de guerras
Ao pé de nós
Segurámos a certeza
E entrámos no mundo
Agarrados á vida
Pelo lado de dentro
Lisboa Maio 90
Não parei um segundo
Olhei para mim do lado de fora
Chorei o erro
Fui embora
Não embarquei na hora
Quis-me perder
Nem assim me deixei
Pois o teu beijo
Ardia-me ainda
No coração que te queria
Pedi que viesses
Caminhasses assim
Como eu
Fora do mundo
Parados num segundo
A contemplar-nos
Tranquilamente narcisistas
Pacíficamente
Sem dar pistas
E alegres pelas conquistas
Sem precisar de guerras
Ao pé de nós
Segurámos a certeza
E entrámos no mundo
Agarrados á vida
Pelo lado de dentro
Lisboa Maio 90
Aqui estou
Entre muros de saudade
Aqui estou
Com esta liberdade que não sei viver
Recordando os teus cabelos
A tuia boca
Aqui estou
Sedento de ti
Desse corpo feiticeiro
Que me prende a cada instante
Na cama que nos deitou
Que nos guardou quando amávamos
Aqui estou
Perto de ti
A viver-te cada momento
Com a ilusão do beijo que te darei
Aqui estou
Numa infinita saudade de te amar
Flores 82
Entre muros de saudade
Aqui estou
Com esta liberdade que não sei viver
Recordando os teus cabelos
A tuia boca
Aqui estou
Sedento de ti
Desse corpo feiticeiro
Que me prende a cada instante
Na cama que nos deitou
Que nos guardou quando amávamos
Aqui estou
Perto de ti
A viver-te cada momento
Com a ilusão do beijo que te darei
Aqui estou
Numa infinita saudade de te amar
Flores 82
Ao longe
Muito longe
Bem no fundo
Um pequeno ponto
Pequeno
Mesmo pequeno
O maior da pequenez
Luzidio
Não muito
Mesmo sem muita luz
Apenas meio brilhante
Ou até
Apenas um pouco de algum raio de sol
Deixado ao acaso numa gota de água
Redondo
Ou secalhar quadrado
Talvez um triângulo de ilusão
Uma figura que não distingo
Pequeno
A maior coisa de mais pequena
Eu alcanço
O que os olhos vêem
Ou querem ver
Quem sabe atingível
Mas real
Inantigivel
Ou um sonho
Quem sabe...
Esse ponto pequeno
Pequenino
Brilhante
Figurinha misteriosa
Gota de água que se desvanece
Ao longe
Muito ao longe
Quem sabe a felicidade
Ao longe
A esfumar-se
Agosto 84
Muito longe
Bem no fundo
Um pequeno ponto
Pequeno
Mesmo pequeno
O maior da pequenez
Luzidio
Não muito
Mesmo sem muita luz
Apenas meio brilhante
Ou até
Apenas um pouco de algum raio de sol
Deixado ao acaso numa gota de água
Redondo
Ou secalhar quadrado
Talvez um triângulo de ilusão
Uma figura que não distingo
Pequeno
A maior coisa de mais pequena
Eu alcanço
O que os olhos vêem
Ou querem ver
Quem sabe atingível
Mas real
Inantigivel
Ou um sonho
Quem sabe...
Esse ponto pequeno
Pequenino
Brilhante
Figurinha misteriosa
Gota de água que se desvanece
Ao longe
Muito ao longe
Quem sabe a felicidade
Ao longe
A esfumar-se
Agosto 84
a olhar o mar
descubro um infinito amor
no encontro com teus olhos
nas ondas que se fecham
na areia que as abraça
como tu se abrindo para mim
sinto o filho que nos chegou
num amor que não fechou
porque de pouco
tem tanto para dar
a olhar o mar
suave, forte e quente
amor nunca ausente
grito de força que não mente
que a vida nos vai levar
Cascais 8/4/86
descubro um infinito amor
no encontro com teus olhos
nas ondas que se fecham
na areia que as abraça
como tu se abrindo para mim
sinto o filho que nos chegou
num amor que não fechou
porque de pouco
tem tanto para dar
a olhar o mar
suave, forte e quente
amor nunca ausente
grito de força que não mente
que a vida nos vai levar
Cascais 8/4/86
PARA o ZECA
Eram três horas quaisqueres
E nessa hora calava
A voz de um homem grande
Um amigo
Um poeta
Um mito realidade
Que na hora da partida
Já antes era saudade
Traz um amigo também
Ecoava na cidade
Que viu partir sozinho
Para a terra da verdade
Nua e crua
Fingida sem alma
Um corpo que não vai cantar
Para aqueles que como eu
O amavam de verdade
Ai meu amigo Zeca
Nome da minha infância
As lágrimas correm ligeiras
neste olhar só de distancia
de quem não conhecia
num aperto verdadeiro
de mãos que só tocassem
a bandeira da esperança
Saudade, dor
Restam agora no momento da partida
Duma voz que nos guiou quando a vontade fugia
E que de repente guiava
Maior que o pensamento
Os filhos da madrugada
Noite da morte do Zeca
Eram três horas quaisqueres
E nessa hora calava
A voz de um homem grande
Um amigo
Um poeta
Um mito realidade
Que na hora da partida
Já antes era saudade
Traz um amigo também
Ecoava na cidade
Que viu partir sozinho
Para a terra da verdade
Nua e crua
Fingida sem alma
Um corpo que não vai cantar
Para aqueles que como eu
O amavam de verdade
Ai meu amigo Zeca
Nome da minha infância
As lágrimas correm ligeiras
neste olhar só de distancia
de quem não conhecia
num aperto verdadeiro
de mãos que só tocassem
a bandeira da esperança
Saudade, dor
Restam agora no momento da partida
Duma voz que nos guiou quando a vontade fugia
E que de repente guiava
Maior que o pensamento
Os filhos da madrugada
Noite da morte do Zeca
Mataram a mãe loba
Na serra da neve branca
Um gato morto
O vermelho sem chama
Os travões aceleram
A ambulância grita
Empurro o autocarro para passar
A estrada branca
Os candeeiros choram da luz mortiça
Os policias são mulheres
O amor é um cacetete
A cidade tem uma farda vestida
As gravatas estrangulam as canções
Não oiço as gaivotas cantarem
O mar tem medo de galgar a muralha
A muralha que dá para a vida
A cidade está lotada
O espaço acabou
Esperamos a morte?
31/12/97
Na serra da neve branca
Um gato morto
O vermelho sem chama
Os travões aceleram
A ambulância grita
Empurro o autocarro para passar
A estrada branca
Os candeeiros choram da luz mortiça
Os policias são mulheres
O amor é um cacetete
A cidade tem uma farda vestida
As gravatas estrangulam as canções
Não oiço as gaivotas cantarem
O mar tem medo de galgar a muralha
A muralha que dá para a vida
A cidade está lotada
O espaço acabou
Esperamos a morte?
31/12/97
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