Um sonho meu acontecido...
O meu passarinho tão amado com as suas frágeis asas, voando com a força própria dos fascinados e sonhadores, chegou aos olhos da misteriosa Lua.
O medo segredou-lhe prudência e os seus passos eram pequenos, quase imperceptíveis, mas pouco a pouco ganhando distância, com essa pouca distância foi entrando nesse mundo incompreendido, indecifrável, repleto de angústias, de duvidas, de distanciamentos, de desconhecido e até de felicidade.
Esse Mundo assombroso ia-se debruçando na incredibilidade e admiração inebriante daquele passarinho tão leve e audaz.
Tinha conseguido chegar.
Chegar lá, onde o frio agasalha.
A liberdade ia-se aproximando, mas a solidão adornava os passos mais corajosos.
Da varanda da Lua, de vez em vez espreitava lá fora, e alcançava ver mais segurança mas mais prisões, mais calmaria mas menos beleza, e entrava e acarinhava-se aos luares que brotavam de todas as fontes.
Lá dentro a sua imagem não existia, dos espelhos das sombras, era um reflexo do cristal da sua alma e nada mais, e voltava sempre ás varandas e espreitava o labor dos tristes, ouvia o cantar da surdina do mundo que parecia enfadonho e pobre, mas havia sempre uma luz que o olhava e deixava na memória a vontade de ter sempre uma janela para olhar.
Descobria sempre uma pequena gota de amor que respondia ás incertezas que a solidão lhe despertava.
Deleitou-se então.
Dormiu nos lençóis do fogo das velas de cheiro, provou das dores que não lhe faziam mal, experimentou, saboreou, repetiu e bebeu da chuva da incompreensão que não o alcançava, riu-se das palavras e sentimentos fúteis, e despertou nas asas do mar que o projectavam noutra dimensão, que ali, naquele luar infinito, lhe estava tão perto.
Quis deixar de ouvir.
Quis terminar as amarras com o caminho que trilhara para ali chegar. Tentou apagar o rasto para se poder perder, mas os sonhos não deixavam.
A luz brilhava sempre.
De repente acordei e o meu sonho terminou....antes voei com ele mas esse voo era dele e só compreendi que essa luz, acredito eu, nunca se vai apagar, e seja com a vida, ou com a saudade, ela estará sempre acesa, porque o meu AMOR é incondicional.
Desejo-te uma vida muito feliz,.... só isso.
Um beijo muito amado
Do Teu PaiZé Bicho
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2 comentários:
Recebi e guardo,
debaixo da pele, onde moram os afectos.
Fizeste-me chorar!..
Um grande beijo aos dois,
Débora
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